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Cinemas Castello Lopes

por Fábio Domingos, em 06.03.13

Por natureza, sou bastante nostálgico, relembro com bastantes saudades alguns episódios que tive durante os anos 90 e inícios dos anos 2000 daí que um dos anúncios que mais me marcou recentemente foi o do Internet Explorer intitulado "Child of the 90's", tive muitas das coisas que lá estavam, desde o Tamagotchi, os "Tazos" que consegui fazer a coleção toda desde os dos Looney Tunes passando pelos dos Power Rangers, Voa Tazos até aos hologramas intitulados 3D Tazos, tive também alguns trolls e felizmente safei-me dos cortes de cabelo ridículos feitos em 4 minutos.

 

Certamente é complicado estabelecer uma relação entre o título deste post e o primeiro parágrafo introdutório que acabei de escrever, no entanto na minha mentalidade existe uma relação estabelecida que nas próximas linhas irei explicar melhor.

 

Em meados dos anos 90, foi aberto um dos primeiros multiplex de cinemas desta zona (provavelmente o segundo, tendo sido o primeiro o do Jumbo de Setúbal), o cinema Feira Nova do Barreiro composto por quatro salas bastante "avançadas" para a altura, uma excelente qualidade de som, imagem do melhor que havia e acesso às últimas estreias contrariando os constantes artefactos que se via nas imagens do antigo cinema "Estrela Moitense", bem como o facto de os filmes só lá apareceram cerca de 3 ou 4 meses após a sua estreia, no entanto era sem dúvida uma excelente sala em termos de comodidade e por ser bem perto de casa. Havia também o cine-estúdio parque no Montijo, no entanto nunca fui a essa sala, no entanto as opiniões das pessoas que lá foram eram bastante positivas, mas recordo-me muito pouco desse cinema; as minhas recordações do centro comercial parque em que essa sala se localizava era de uma loja cujo nome era "Discoteca Orelhão" já encerrada, onde comprei as cassetes para a minha Master System II.

 

O espaço era relativamente pomposo para os padrões da altura, localizava-se na praça dos cafés da Feira Nova, no fim do seu último corredor no lado oposto ao "Burger King", que depois passou a "Queen's Burger", corredor que também tinha uma loja "Macmoda" da infelizmente falida Maconde; os filmes que lá estavam em exibição, eram anunciados por um placard que estava por cima da entrada do Multiplex, do lado direito da entrada estava a bilheteira e a indicação das próximas estreias. O multiplex em si, era então constitúido por uma área ampla estando se bem me recordo no lado esquerdo as salas 1 e 2 e no lado direito a 3 e a 4, no meio deste espaço encontrava-se o balcão do bar, onde comprava as deliciosas pipocas.

 

A primeira vez que lá fui a esse novo espaço, foi para ver o filme "O principe do Egipto" (atualmente Egito), para ver o horário tive de recorrer ao jornal "O Correio da Manhã", qual internet, qual quê, na localidade onde moro, só houve banda larga em 2003, se quisesse internet teria de ser com um modem de 56k cuja velocidade de ligação era superior a 33.6 kb/s em cerca de 18% das ligações estabelecidas, e mesmo assim raramente passava de 1 hora de navegação, pois o tempo que estava nesse mundo era cobrado ao minuto na conta do telefone, tendo os meus pais pago 18 000$00 (sensivelmente 90 euros) logo na primeira fatura que veio quando finalmente tive a internet, o meu sistema operativo era o Windows 95 e o meu ISP o Sapo, o meu computador um Pentium 200 Mhz com tecnologia MMX, 32 MB de memória RAM e um disco Seagate de 2,5 GB, deveria decorrer o ano de 1998. 

 

Continuando a história, quando cheguei ao hipermercado "Feira Nova do Barreiro" e comprei o bilhete, cujas cores era azul e na área das letras onde estava a sessão, a sala e o nome do filme era branca, este ostentava na parte superior a indicação  "Cinemas Castello Lopes", o preço já não me recordo, a sala era a 4, a mais pequena por sinal, mas nem por isso inferior às outras, fiquei bastante surpreendido pela positiva pela grande qualidade tanto da sala, como dao somimagem, maravilhoso, fiquei com uma excelente ideia dessa empresa Cinemas Castello Lopes, que belas salas que ela explorava!

 

Muitos filmes passaram desde o Principe do Egipto, até ao último filme que lá vi nesse multiplex, "O Último Samurai", apesar de na altura em que foi exibido, já existir aqui perto o multiplex do Fórum Montijo, mais moderno e superior, com a assinatura da "Warner Lusomundo" (hoje Zon Lusomundo), continuei a ter um valor sentimental pelo entretanto velhinho cinema do Feira Nova, em que na prática a sua única vantagem era o facto de não ser necessário preencher cupões para usufruir dos descontos do Cartão Jovem como era no Cinema do Fórum Montijo.

 

A partir desse filme, passei a ir ao cinema do Fórum Montijo, tendo sido lá onde vi filmes como "Matrix Revolutions", "À procura de Nemo", entre muitos outros.

 

Escrevo isto, porque no meio de tantas más notícias que ouço e leio sobre a Castello Lopes, com a última sobre o fecho das salas que restavam, veio-me esta nostalgia do tempo do cinema do Feira Nova do Barreiro, altura em que esta empresa estava no seu auge em termos de qualidade e provavelmente também em termos financeiros, o sentimento nostálgico foi tanto que fui até lá ao Feira Nova do Barreiro, agora Pingo Doce do Lavradio local onde já não ia muito provavelmente desde o dia em que fui ver o "Último Samurai" salvo erro em 2003, dado o aparecimento do Modelo da Moita (agora Continente Modelo) e do Carrefour do Fórum Montijo (hoje Continente), queria dar uma olhadela ao que foi o grande multiplex, agora adormecido (encerrou em 2007),  sem ninguém, provavelmente com o placard que anunciava os filmes em exibição vazio ou com os cartazes a cair de velhos dada a sua idade.

 

Entrei pela porta da direita do agora Pingo Doce, reparei no Moviflor que ainda continua no mesmo sitio, na Companhia das Sandes agora fechada, enquanto passo pelo corredor de lojas, agora muitas fechadas, outras têm novos donos, no entanto quando chego ao fim do corredor, reparo que agora em vez de terminar na praça dos cafés, acaba agora com uma parede branca com uma porta que possui uma pequena tabuleta com uma indicação "Reservado a Funcionários" ainda antes de chegar à praça dos cafés onde estava o cinema, nesse momento senti um choque que me percorreu todo o corpo, lá se foram as minhas expetativas, o último olhar sobre os cinemas, como será que ele está agora? Será que ainda lá está? Será que é agora um espaço de reuniões ou algo do género?  Reparei depois que esta área restrita estende-se a todo o último corredor, desde o antigo restaurante Queen's Burger, passando pelo Macmoda até à praça dos cafés e consequente dos cinemas, fiquei mesmo triste.

 

Ainda estive na antiga praceta da entrada do lado esquerdo, agora mais pequena cortada pela parede parede branca, lembro-me desse espaço quando tinha as arcadas, relembrando-me com saudade do local onde pela primeira vez joguei "Virtua Tennis". No entanto não vi o cinema.

 

Bom, provavelmente estou maluco por ter escrito de uma forma tão sentimental sobre este espaço do passado (face a certas atitudes que tenho tido ultimamente, por vezes penso para mim mesmo que as dúvidas sobre isso já foram dissipadas), certamente irrelevante para a maioria dos comuns mortais. Espaço agora ultrapassado por outros complexos muito melhores, no entanto sinto-me ainda a recuperar do choque e este texto que aqui deixo é o meu desabafo.

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publicado às 02:28



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